Manuel Ferreira & Silva

A História do Fundador

Domingos Dias da Silva nasceu em 20 de Setembro de 1929, no lugar de Moreiró, freguesia de Labruge, em Vila do Conde. Na escola primária da sua terra saiu aprovado com distinção no exame do 2.º grau, como não possuía condições para continuar com os estudos trabalhava na agricultura. Esta ligação directa com a natureza dotou-lhe de uma sensibilidade extrema capaz de levar a vida de uma forma íntegra. Já durante a sua adolescência era convidado para actuar em teatros da terra e arredores, que constituíam eventos culturais importantes, para dar vida a personagens distintas da literatura nacional. Também participou em corridas de bicicleta onde acostumou as pessoas da terra a vê-lo como vencedor. Eram acontecimentos de grande importância na altura, onde viveu momentos de grande alegria e satisfação pessoal. Deu continuidade ao seu empenho e ânsia de vencer na vida e com apenas 14 anos ingressou na arte de encadernador como aprendiz na Tipografia Modesta com sede na Rua dos Caldeireiros, no Porto.
Um ano mais tarde foi para Baptista Encadernador, com sede na Rua do Corpo da Guarda, com a mesma categoria de aprendiz, melhorando de certa maneira a sua técnica e conhecimentos.

Três anos mais tarde sendo já aprendiz de 4.º ano, ingressou na Encadernação Augusto de Almeida, sita na Rua do Almada, no Porto, onde foi promovido a auxiliar de encadernador, continuando a aumentar os seus conhecimentos profissionais como encadernador. Passou mais tarde para a secção de douração, onde foi promovido a oficial de Encadernador-Dourador.

Aos 20 anos foi para a Escola Prática de Infantaria de Mafra cumprir o serviço militar obrigatório, onde foi promovido a 1.º cabo. Desempenhou tarefas de grande responsabilidade com dedicação, zelo e interesse conforme consta na sua Caderneta Militar. Em seguimento dos seus conhecimentos profissionais como encadernador foi-lhe proposto que iniciasse a montagem da 1.ª Oficina de Encadernação da Unidade, onde ensinou a mesma profissão a inúmeros soldados. Em Setembro de 1951 passou à disponibilidade voltando para o seu antigo patrão.
Pouco depois recebeu um convite de Fernando Ribeiro de Araújo, com sede na Rua da Alegria, 129, no Porto, para exercer as funções de oficial de Encadernador-Dourador, tinha então 22 anos.

Em Abril de 1953, ou seja, passado um ano de ingressar para a encadernação do Sr. Araújo, contraiu matrimónio com uma jovem de Lavra, tendo passado a residir em Freixieiro, onde ainda permanece.
Em 1954, associou-se a Manuel Ferreira, seu colega de profissão, tendo aberto estabelecimento na Rua do Breiner, no Porto. Mais tarde e com o aumento considerável das encomendas, abriu na Praça Coronel Pacheco umas amplas instalações convertendo assim para Manuel Ferreira & Silva, Lda.
Logo após o 25 de Abril de 1974 diminuiram as encomendas e muitos clientes se anularam. Mas a recuperação avizinhava-se em 1980, de um modo tão favorável que levou à aquisição da empresa Imprensa Portuguesa, fundada em 1868, que estava na eminência de ir à falência.
Em Agosto de 1987, José da Silva Dias Inácio marido da única filha de Domingos Silva, Alina da Conceição Moreira da Silva, adquiriu as quotas de Manuel Ferreira e daí em diante a Imprensa Portuguesa, volta a pertencer a uma só família como desde a sua constituição.

Em 1994, o nome de Domingos Dias da Silva foi sugerido na Câmara Municipal do Porto como individualidade que tem dedicado o melhor da sua vida à arte de bem encadernar e também por completar nesse mesmo ano 50 anos de oficio, para ser galardoado com a Medalha de Mérito da Cidade (grau ouro), cerimónia que teve lugar na Casa do Roseiral onde decorria a 64.ª Feira do Livro onde também foi convidado para montar e dirigir uma oficina móvel de encadernação ao vivo com os próprios colaboradores.
Domingos Dias da Silva é sem dúvida o único mestre vivo na arte de encadernar tradicional portuguesa, tendo feito uma verdadeira escola junto das gerações mais novas, sem quaisquer benefícios estatais tendo a empresa sido conhecida como ‘Alfobre de Encadernadores’, servindo não só para manter a arte dentro da própria firma de modo a tentar que não se extinga esta tão bonita como difícil arte.

Fez várias encadernações que ele mesmo denomina de ‘especiais’, como ‘Guimarães e Gil Vicente’ oferecida ao REI DE ESPANHA aquando da sua visita à Cidade de Guimarães; ‘O Alcorão’ oferecida ao PAPA JOÃO PAULO II quando visitou Portugal pela 1ª vez; ‘Os Maribondos de Fogo’ oferecida ao Dr. JOSÉ SARNEY quando visitou o nosso país; ‘Só’ de António Nobre (fac-simile do original para a 2ª edição) oferecida ao Dr. Mário Soares na altura Presidente da República aquando da inauguração da 64.ª Feira do Livro do Porto em 1994; ‘Pessoas de Lavra’ oferecida a D. MANUEL MARTINS, na altura Bispo de Setúbal, ‘Os Lusíadas iluminado por Julião Machado’ foram oferecidos a Suas Excelências Os Príncipes das Astúrias pelo casamento real; ‘O Barco e o Sonho’ encadernado para o presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama pela comemoração do 4 de Julho em 2010.
A mudança de instalações para Lavra em 2012, foi o concretizar de um dos objectivos da empresa, pela união das instalações do Porto e Mindelo.

Um dos marcos importantes na sua vida serão com certeza os 70 anos de oficio e os 60 de empresário a completar no ano de 2014, assim como os 150 anos de actividade da Imprensa Portuguesa em 2018.

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